O Grupo Prada, uma das maiores referências da moda de luxo mundial, concluiu nesta terça-feira (2) a aquisição da grife italiana Versace por 1,25 bilhão de euros (cerca de US$ 1,4 bilhão ou R$ 7,5 bilhões). O acordo, anunciado originalmente em abril, marca um movimento estratégico significativo para o setor de luxo na Itália, historicamente reconhecida pela produção de alta qualidade, mas sem um conglomerado capaz de competir em escala com gigantes globais como os norte-americanos e a francesa LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton e Dior.
Com valor de mercado estimado em US$ 15 bilhões, a Prada se consolida como o maior grupo italiano do segmento, embora ainda distante de concorrentes como a própria LVMH, avaliada em cerca de US$ 316 bilhões. A compra da Versace representa um passo importante para fortalecer a presença italiana no mercado, mesmo em um momento desafiador para a grife fundada em 1978 por Gianni Versace e levada ao auge criativo por Donatella Versace, que deixou o comando artístico em março de 2025 após três décadas.
A negociação também tem impacto direto na situação financeira da Capri Holdings, antiga proprietária da Versace. Segundo o CEO John D. Idol, os recursos da venda serão usados para quitar grande parte da dívida da empresa e reforçar seu balanço. “A transação proporcionará maior flexibilidade financeira para investir em nosso crescimento e retornar capital aos acionistas”, afirmou o executivo em comunicado oficial. A Versace, que registrou um prejuízo operacional de US$ 54 milhões no primeiro trimestre deste ano, enfrenta desafios recentes de posicionamento, especialmente com a ascensão do chamado quiet luxury, tendência que privilegia estética discreta, oposta ao estilo marcante e maximalista que consagrou a marca.
A Versace havia sido adquirida pela Capri Holdings em 2018 por US$ 2 bilhões, valor superior ao montante pago agora pela Prada, refletindo as mudanças no mercado e a fase menos aquecida da grife nos últimos anos.
Foto: Kylie Cooper/Reuters


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